quinta-feira, 24 de março de 2011

RELEMBRANDO

Revendo minha pequena estante dei de parar com "Boca do Inferno" de Ana Miranda, escritora aqui da terrinha, por sinal gostei muito deste seu trabalho de pequisa, acho essa publicação espetacular, faz de um romance histórico uma leitura por demais atrativa com o convívio ao passado do Brasil Colônia com muita propriedade, mostarando a vida como ela é em qualquer tempo...Não perdendo tempo, lembrei quando folhiei o livro de que tem Gregório de Matos e Guerra como um dos personagens, e então veja o que finalizei:



RECLUSÃO
A Gregório de Matos Guerra

Não desejo relembrar certos tempos idos,
mas se preciso for volto aos anos vividos,
relembrando a dor com perplexidade atirado a enxovia,
não intenciono mais rever tal agonia.

rebeldia jovial defendendo ideais de mudanças,
muitos na história que por ai seguiram deram cara às trancas,
sei que covardia não é atitude de pessoa digna,
mas viver o novo com mudança irreverente não é melícia.

Nem precisas pensar sorrateiro ser mentecapto,
e quem sabe? Seja só busca, para respirar o novo imaginado,
sem escórias livre traçando o que pode valer a vida,
e se conectas uma réstia tão dolorosa... Ah dura vida!

Que na ânsia jovial tanto cegou a ameaça ao calabouço,
e pensar que após tantos janeiros...Novo mundo foi tão pouco:
abrir a boca firme, não recrudescer a inflamar os retrógrados,
pois o novo  em vanguarda abre caminho alado,

senão vai  te vê acovardado  jogado a hipocrisia
que diferença alguma faz a enxovia?
Ou mesmo reprimido e limitado a um valhacouto,
quando a arte se faz necessária e te deixa absorto.


Então a reflexão pede o passado... Mas sem amargura,
outra vez envolvendo-se na beleza feminina... Que doçura!
E gargalhar no final usando para estes a sátira e de forma picante, às vezes terna,
e assim por ventura lembrar-se do poeta... Boca do inferno.

e que apesar desta alcunha, esteve mais próximo do riso e longe das trevas,
com a certeza de que a história nem tarda e nem falha e sim conserva-se.
Traçando palavras e afiando a viola,
deixando legado na voz e na prosa.















Um comentário:

  1. Então muito bom, uma lembrança memorável ao poeta do século XVII.

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